cem anos atrás, Rússia czarista

THOMAS MANN sobre Tchekhov.
(Zahar Ed, p.178, “ThomasMann, o escritor e sua missão”.)

“A vida na cidade grande torna feliz aquele que escapou à estreiteza provinciana? O peito se lhe abre, fazendo-o sentir-se bem? Mas ninguém podia se sentir bem com a vida russa de então. Ela era sufocante, abafada, submissa, tutelada e intimidada por uma autoridade brutal, era uma vida comandada e censurada pelo Estado, rastejando aos gritos. O campo era oprimido pelo sistema de governo absolutista e conservador do czar Alexandre III e seu terrível Pobedonostsev (*) – um regime de tristeza. E foi à tristeza que, ao redor de Tchekhov, entregaram-se muitas cabeças mais sensíveis, necessitadas do oxigênio da liberdade. (…) A vodca se tornou um grande atrativo entre intelectuais. Bebia-se – por desesperança. Os dois irmãos de Tchekhov bebiam e decaíram rapidamente, embora o mais moço lhes suplicasse que se controlassem. Bem, sim, talvez também tivessem bebido se Pobedonostsev não existisse, mas infelizmente podiam apontar para o exemplo do bom e velho poeta Palmin, outro amigo de seu irmão e que também bebia.” (…)

(*)Konstantin Pobedonostsev, (1827/1097), eminência parda do regime do czar Alexandre III e curador da Igreja Ortodoxa.

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