no trabalho…

belo horizonte

Chegando ao escritório nosso amigo se lembrou de que lera na faculdade um texto que falava de “trabalho morto” (em opsição a “trabalho vivo”). Ficou da leitura, na época, um mal-estar por saber que era exatamente isso que sentia por seu trabalho. Não houve, contudo, necessidade de explicar ou justificar: era seu trabalho. O tempo passou, algumas promoções vieram (nunca foram questões para ele as atitudes antiéticas para tanto: era assim na empresa toda, bolas).
A insistência do telefone vem interromper as elucubrações. Atende e tem que abrir a pasta. Despacha o interlocutor.
Da pasta se pode ver o tal papel achado na rua. Não estranha que ainda estivesse ali, nem sente pudor em jogá-lo na cesta de lixo. “O mundo gira, a lusitana roda”, disse. Esse slogan que o acompanha desde menino (lera isso num caminhão que passara na sua infância) servia como uma luva, como, aliás, vem lhe servindo para muitas ocasiões.
Terminado mais um dia, ocupado em fazer o melhor para se manter em alta com os superiores, perseguindo as metas, as onipresentes metas, nada mais foi digno de nota.
Mas, não sente vontade de voltar para casa; prefere um bar, outro bar, para não se encontrar com os colegas e repisar as mesmas conversas enquanto encara cada um na roda, cada concorrente, como sempre fazia. Era também um alvo com as mesmas intenções vindas dos outros, sabia disso.

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