mas que porra, piva

ROBERTO PIVA

PRAÇA DA REPÚBLICA DOS MEUS SONHOS

A estátua de Álvares de Azevedo é devorada com paciência pela paisagem de morfina

a praça leva pontes aplicadas no centro de seu corpo e crianças brincando na Tarde de esterco

Praça da República dos meus Sonhos

onde tudo se fez febre e pombas crucificadas

onde beatificados vêm agitar as massas

onde García Lorca espera seu dentista

onde conquistamos a imensa desolação dos dias mais doces

os meninos tiveram seus testículos espetados pela multidão

lábios coagulam sem estardalhaço

os mictórios tomam um lugar na luz

e os coqueiros se fixam onde o vento desarruma os cabelos

Delirium Tremens diante do Paraíso bundas glabras sexos de papel

anjos deitados nos canteiros cobertos de cal água fumegante nas

privadas cérebros sulcados de acenos

os veterinários passam lentos lendo Dom Casmurro

há jovens pederastas embebidos em lilás

e putas com a noite passeando em torno de suas unhas

há uma gota de chuva na cabeleira abandonada

enquanto o sangue faz naufragar as corolas

Oh minhas visões lembranças de Rimbaud praça da República dos meus

Sonhos última sabedoria debruçada numa porta santa

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