“a rua é o único lugar das experiências válidas”

…a respeito das marchas que tomaram conta do país neste junho de 2013.
o que nos chama a atenção de início é a forma como se deu tanta mobilização, como tudo aconteceu rápido e, tal e qual um rastro de pólvora aceso, foi ”viralizando” e envolvendo mais e mais pessoas. foram vários grupos distintos e com várias propostas – ou nenhuma, a não ser participar.
a rua é o único lugar das experiências válidas, pontificou André Breton.
os blogues sujos, os progressistas, de esquerda, se mostraram: alguns tomaram uma posição contrária aos manifestantes, outros hesitaram ou também se negaram em aceitar como legítimo o Movimento Passe Livre ou legítimas suas práticas; todos, na nossa opinião, mantiveram os pés firmemente enterrados no status quo! o despreparo (que mais seria?) em ver o novo, em aceitar que envelheceram no pensamento e ação ficou patente (que se diga, contudo, que achamos mais salutar uma tomada de posição do que uma pretensa neutralidade, sempre falsa).
não tivemos a oportunidade de nos deliciar com textos (de autores e/ou comentaristas) que pudessem se aproximar do que é objeto da chamada Análise Institucional (que também é usada, entretanto, por aqueles que trabalham para manter tudo como está. temos uma amiga que trabalha com A.I. sempre ao lado do capital. aliás, o próprio Movimento Institucionalista não é um monolito único, senão permeado de várias tendência: mais à esquerda e mais à direita.). as análises, numa leitura geral, apontaram invariavelmente para o que poderia ser resumido na defesa da manutenção dos canais tradicionais de manifestação, de reivindicação e de encaminhamento das propostas, como se somente assim se pudesse fazer ou como se isso não fosse exatamente o fulcro da insatisfação!
no momento mais sublime, quando as coisas aconteciam exatamente, ou quase, todos nós queríamos ver, faltaram todas e quaisquer formas de opiniões que levassem em consideração apenas um detalhe da A.I.: deixar que o INSTITUINTE se colocasse! o que se viu foi um desfile de palavras/textos que simplesmente não aceitavam o levante, muito provavelmente porque não estavam lá nas ruas e de forma unânime as palavras de ordem contra o que queremos ver combatido no país, restando então o maniqueísmo, tão corrente, aliás, nos blogues citados (os mais conhecidos, claro). um dos blogueiros chegou a imputar ao MPL a culpa pelas depredações em SP, como se fosse função do mesmo agir como polícia. outro, sempre criativo, criou um neologismo que nos remete ao filme Trainspotting, talvez lembrando o erro que foi a greve promovida pela Central Geral dos Trabalhadores/CGT, no fim prematuro do governo Jango (ver pelo “retrovisor histórico” é mais fácil).
nossa posição é claramente por uma nova forma de ser na sociedade, nossa utopia é querer ter esta utopia, não obstante a História e a atualidade das coisas societárias nos mostrarem que este é um caminho cheio de contradições, portanto, armadilhas também – o que não nos impede, contudo, de continuarmos a ser sonhadores, mesmo que sentados numa cadeira frente ao computador, como agora.
queremos agradecer a Felix Guattari, Gilles Deleuze, Gregório Baremblitt e outros, vários outros, por terem sido tão inconformados e por nos deixarem estudos que continuam a ser luzes no túnel da pretensão daqueles que querem um país melhor, embora se exercitem por sendas empoeiradas.
1. claro que não se obriga o conhecimento da Análise Institucional. faltando este, melhor: sobra o subjacente à tomada de posição, pró ou contra, inicialmente (as análises subseqüentes irão para um ou outro lado de acordo com a “tendência” inicial).
2. claro que não queremos ser agredidos por fascistas tampouco daremos passagem (até os limites de nossa força) para que movimentos sociais do tipo avancem. mas, e se a sociedade quiser avançar para isso, o que restará aos que nos achamos democratas?
3. claro que os “mass media” eletrônicos tradicionais são o que temos de cancerígeno na sociedade brasileira, juntamente com várias “bad apples” nas várias instituições republicanas e os blogues progressistas são o último (ou primeiro) baluarte seguro aos quais podemos recorrer.
4. claro que admitimos estar completamente errados.

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