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Muito já se disse sobre a primeira grande ferida narcísica aberta por Galileu/Copérnico ao revelarem que o planeta Terra não era o centro do Universo.
E mais: que essa “nossa casa” estaria em volta do Sol e envolta por um inimaginável espaço. (Duas outras feridas narcísicas se seguiriam com o tempo: a de Darwin, propondo que os humanos fariam parte de uma evolução à maneira dos bichos e plantas; depois Freud: não somos o que pensamos, mas guiados pelo Inconsciente.).
Uma visão de mundo foi abalada: então as coisas não “são porque são”, resultado de obra divina. Fomos então, no ocidente, jogados à nossa própria sorte: não caberia mais pensar que havia um Deus criador dos homens à sua imagem e semelhança e que, lá do alto dos Céus, estaria a olhar para suas criaturas, cuidando mais daquelas que são boas, ou inermes. (Os que tinham ascendência mais divina já estavam protegidos.)
Assim, livres para pensar e agir, os homens se tornaram autônomos, soberanos e autodeterminados; se fizeram então fortes para “dominar a Natureza” como nunca antes, para desenvolver suas leis sociais e para caminhar sem culpa sobre o planeta, destruindo-o, inconsequentemente. E, nesse processo, avaliar o mérito das ações empreendidas ficou para os teóricos, para os pensadores que não “criam empregos”. Ademais, as “coisas da sociedade” não podem ser esclarecidas com o modelo objetivista naturalista; logo, para que culpa?
(O grande projeto da ciência de cem anos atrás, qual seja, de melhorar o mundo, esse grandioso projeto interno se desfez logo no seu começo, corrompido por interesses outros. Dar sentido à vida (pessoal e social), não pode se tornar o problema para a humanidade, com o que correria o risco de emperrar o “desenvolvimento”, sempre justificado – mesmo que se joguem duas bombas sobre cidades, ou se usem de armas químicas contra comunidades inteiras, ou ainda…a lista de atrocidades é muito vasta para caber aqui. Sempre, se diz, haverá um preço a ser pago ao civilizar(se), para evitar que a horda primitiva triunfe com sua violência(?)…)
Se no passado foi decretada a morte de Deus, hoje é a morte do Homem que está em jogo. Não a morte dos desassistidos em vários lugares e épocas (isso é comezinho: milhões já foram, e continuam sendo, dizimados ou condenados ao fim, lentamente), senão a destruição física de todos, a impossibilidade de viver (ao menos com perspectiva de vida saudável, bio-psico-social).

Mas, que mal pode haver nisso se moralmente somos um nada sempiterno?
É por isso que uma missão daqueles que, à moda de Gramsci, optam pelo “pessimismo da razão com otimismo da vontade” se torna mais e mais necessária: porque somos todos condenados…

(a autoria da foto não foi identificada ainda. esperamos resposta de alguns sítios pesquisados. ao obter nome do autor, publicaremos.) …alguns mais condenados ainda.

(a autoria da foto não foi identificada ainda. esperamos resposta de alguns sítios pesquisados. ao obter nome do autor, publicaremos.)

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