nove de agosto de 1945, Nagazaki

“O segredo, uma vez aceito, converte-se em vício”. Essas palavras poderiam ser usadas para descrever a administração da catástrofe nuclear [de Fukushima] pelo governo japonês, mas elas foram pronunciadas pelo cientista nuclear Edward Teller, um dos principais responsáveis pela criação das duas primeiras bombas atômicas. A bomba de urânio denominada “Little Boy” foi lançada no dia 6 de agosto de 1945 sobre a cidade de Hiroshima, Japão.

Três dias mais tarde foi lançada a segunda bomba, de plutônio desta vez e denominada “Fat Man”, sobre a cidade de Nagasaki. Por volta de 250 mil pessoas morreram por causa das explosões e de seus efeitos imediatos.

Ninguém sabe com exatidão a quantidade de pessoas que morreram ou padeceram de enfermidades nos anos seguintes às explosões, desde as dolorosas queimaduras que atingiram milhares de sobreviventes até os efeitos tardios como enfermidades provocadas pela radiação e câncer.

A história dos bombardeios sobre Hiroshima e Nagasaki é, em si mesma, a história da censura e da propaganda militar estadunidense. Além das filmagens que foram escondidas, as forças armadas impediram o acesso de jornalistas às zonas das explosões. Quando o jornalista vencedor do Prêmio Pulitzer, George Weller, conseguiu entrar em Nagasaki, seu artigo foi pessoalmente censurado pelo general Douglas MacArthur. O jornalista australiano Wildred Burchett conseguiu entrar em Hiroshima logo depois das explosões e, dali, escreveu sua famosa “advertência ao mundo”, na qual descreveu a propagação massiva de enfermidades como uma praga atômica. Mas as forças armadas estadunidenses criaram a sua própria praga. William Laurence, jornalista do New York Times, também era empregado do Departamento de Guerra. Laurence informou fielmente a posição do governo estadunidense, insistindo em que os “japoneses descreviam sintomas que não pareciam verdadeiros”. Lamentavelmente, ganhou o Prêmio Pulitzer por sua propaganda.

Amy Goodman, tradução: Katarina Peixoto. Fonte Agência Carta Maior

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