ontem, como hoje…lá, como cá

Conheci, numa pequena cidade do interior, um negociante transformado em revendedor – maradior (bandido), como dizem os russos. Seus três filhos tinham conseguido escapar ao serviço militar. Um deles especulava fraudulentamente com produtos alimentícios. O outro vendia ouro ilegalmente nas minas de Lena, na Finlândia. O terceiro era o principal acionista de uma fábrica de chocolate que abastecia as sociedades cooperativas locais sob a condição de estas lhe fornecerem tudo de que necessitasse. Assim, enquanto a massa popular só obtinha cento e vinte e cinco gramas de pão negro, com cartões especiais de racionamento, ele conseguia em abundância pão branco, chá, açúcar, café, manteiga…Não obstante, quando os soldados nas trincheiras, vencidos pelo frio, pela fome e pela miséria, não puderam mais combater, toda essa família gritou, indignada: “Covardes!” e “Como nos indignamos de ser russos”. E quando, finalmente, os bolcheviques descobriram e requisitaram os vastos depósitos, que “ladrões” que eram…
(John Reed em “Os dez dias que abalaram o mundo”)

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