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num jornal no dia seguinte…

uma flor…

nightmare dreams

the (north)american nightmare. vividly realistic. then ‘n now.
scary? in fact it belongs to me, belongs to you, belongs to everyone.

vozes velozes nas ruas cruas (1976)

camelôs, desempregados, aposentados, um “aleijado” que toca por uns trocados, crianças abandonadas, prostitutas, loucos aproveitando a liberdade antes de serem encarcerados, enfim, o país de sempre.

uma selva cruel na qual cada um procura seu espaço de sobrevivência ignorando a construção histórica, política e social que faz com que as coisas sejam exatamente como são. (no caso dos loucos e/ou “cracudos”, hoje vão forçados para as tais “comunidades terapêuticas”, financiadas com verbas públicas! financiadas com verbas públicas e administradas por “pastores”. tratamento em isolamento? esquece.)

corpos sofridos, mentes enganadas, almas esperançosas, pessoas desassistidas, sociedade excludente,  racista, assassina.

ontem, hoje…

a mostra cabal de nossa incapacidade para a JUSTIÇA SOCIAL.

(“mas de repente o furor volta, o interior todo se revolta e faz nossa força se agigantar”…)

nas ruas e nas vielas da urbe e das favelas…

…não há porque contemporizar. RAID ART!
é pau, é pedra, é nóis!
mas que tais fazeres sejam desde já uma ruptura e não apenas mais um “gênero estético-ético-musical”; que não apenas denuncie a perversidade do sistema político nem somente o desnaturalize: destrua-o! e que, como arte, rompa a noção positivista de acumulação de conhecimentos que beneficia a todos, porque isso é uma falácia.

(compilado, editado e admirado por este canal…)

tempo de ouvir…

fotos

Aê, vem ver o que restou do meu corpo, diz na rua o pedinte, saltitando para alheios senhores e senhoras (estes que acham que estão caminhando para algum lugar).
(Claro, a centralidade é o corpo. Na falta de perigos próximos – as guerras declaradas (ou não), a fome como estratégia, as iniquidades sociais (im)postas como dominação –, resta o corpo, “o meu corpo”, o mesmo minúsculo corpo frágil, agora reificado como o supra-sumo da afirmação do meu ser. Todo o resto é secundário, aziago, desprezível – e que cada um que se vire para manter seu corpo assim assado. Mas não estamos falando do corpo pessoal e sim de corpos redundantes, expropriados e marcados para morrer de morte prematura.)
Qualé a desse qualquer? Como ousa se mostrar assim? Quem quer saber de sua experiência na fome? Por que não para de beber, de fumar, de existir, porra? Nada muda mesmo…
E o pedinte continua seu teatro (“estranha figuração”), pula na frente dos passantes, interrompe a caminhada dos senhores e das senhoras, fala e fala (“fragmentos de discursos carregando fragmentos de uma realidade”) e reivindica que olhem para seu estado. Que olhem para seu pau mole, sua bunda seca. Ninguém ousa. Aquele discurso vem misturado com pedaços de memória mal encaixados num espaço de realidade. Alguns desviam seus subjugados passos capitalistas para evitar o encontro.
E chegam aquelas luzes estroboscópicas que marcam com ódio e violência as paredes das cidades… num instante um clarão ilumina aquela vida cinzenta.
(“Todas essas vidas destinadas a passar por baixo de qualquer discurso e a desaparecer sem nunca terem sido faladas só puderam deixar rastros – breves, incisivos, com frequência enigmáticos – a partir do momento de seu contato instantâneo com o poder.”)
Vão se foder!, resume enfim aquele ser, enquanto a viatura cospe o olho míope do estado em forma de homens armados nascidos de tristes partos… toda esquina de toda cidade: lá estarão eles agindo, mirando corpos pobres pretos cansados subnutridos feridos/fedidos – desaparecidos no final.
O que nos é dado fazer nas ruas de belos horizontes eclipsados por prédios tortos/mortos e poluídos por trabalhadores alienados, se somos incapazes de transmitir experiências?
(Aspas: Michel Foucault, A vida dos homens infames in Estratégia, poder-saber.)

belo tempo morto

Os sentimentos vastos não têm nome. Perdas, deslumbramentos, catástrofes do espírito, pesadelos da carne, os sentimentos vastos não têm boca, fundo de soturnez, mudo desvario, escuros enigmas habitados de vida mas sem sons, assim eu neste instante diante do teu corpo morto. Hilda Hilst